E daí brota, novamente,
uma mentira,
um doce cantar
que te sussura uma palavra
que ninguém ousa falar.
(S.)
25/10/2013.
Angústia.
A saudade é uma dor etérea,
Mas ainda há o sonho impávido
De olhar de novo o caminho
Que me leva para você.
São passos lentos
Que me guiam pela rua
E vou desaparecendo
Pela sombra do desejo.
A dor é a canção sem rima
Como um monte ensolarado
Que se aquece na manhã
E aguarda a noite, anciã.
Nossos corpos como lanças
Eu, você e a paz aflita
Bailando pelo céu azul
Misturado a toda cor que é bonita.
A saudade é a sina
Tão cruel quanto maldita
Que nos prende ao chão
Enquanto a alma levita.
A solidão é uma pedra bruta
Que no talhe inda resiste
Mesmo que a tua ou minha carícia
Seja a mais doce que existe.
O amor é um medo constante
Um tremor que se expande
Rápido como uma ave de rapina
Que descansa quieta no ninho da rotina.
Seria eu saudade inflamada,
Ou talvez, dor lancinante.
No espelho, sou luminosa solidão
Que olha esperançoso o amor da liberdade.
[J.]
Vomito moinhos e
Acordo molhado de sonho
Navegando pelo ar
E pelo espaço
Siderado.
Nas tuas mãos,
Eu sou a lança.
Sou tua perna que balança,
Avidez de nosso amor fantasma.
Eu chicoteio o corcel negro
A minha tristeza fugidia,
Correnteza de todos os rios,
Fúria de te achar nua
Na porta da minha cabana,
Que dá de frente para a tua.
Eu vocifero,
Imploro,
Quero
A sua carne,
Aperto meus olhos até
Sumir de vista.
Eu soluço, tusso
E engulo
A tua seiva doce,
A tua saliva ríspida,
O teu supra-sumo amargo,
Emborcando o teu cálYce...
Embriagado em sôfrega solidão,
Eu apalpo minha alma
E percebo infeliz
Que não há mais de mim
Em mim.
Tudo o que sou ou fui
Vagueia no ermo
Caloroso de meus
Tropeços e tombos
Veludo gasto,
Amor incauto.
Sonhos despertos.
E você,
Fugindo
nas asas do vento do moinho que gira, gira, grita.