True.

True.
Love.

domingo, outubro 27, 2013

Sinestesia.



Quando o céu se veste de noite,
Caem tristes os olhos do dia...
Quando floresce a rosa mais bela,
O amor, suicida, cai de uma janela.

E seu corpo vermelho, despedaçado
Distribui seu sangue pelas ruas selvagens
Onde nós, desesperados, procuramos cegamente
Um pouco de uma matéria volátil e tão finita.

O tempo se congela sob a sombra que impera.
A vaidade e o desejo assomam as almas frementes
Que buscam saciar sedes ancestrais
No poço profundo e negro da ilusão.

E imploram ressurgir quando a chama
De seus ímpetos febris amaina,
Como se pela atmosfera soprasse brando
Um vento que se parece com uma cura.

E daí brota, novamente,
uma mentira,
um doce cantar
que te sussura uma palavra
que ninguém ousa falar.

(S.)

25/10/2013.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Ano Solidão.



Decidido.

Meu rumo é o ar.

Sem ninguém, sem par.

Só nós, sem viés.

Um dois e talvez, três.

Decidido:

Eu não só

parto, como

chego.

Ninguém me segue.

Não a você,

Não a ninguém.

Meu solitário

pouso

é só também.

Não construo

não apelo

Não obstruo

Só admiro

a ausência

que se faz maior

Nessa vida

tão fugaz e sem

amor.

Não

te vás

antes de me ouvir

dizer

adeus.

E quando voltar,

olhe

em volta.

É lá,

onde não me vês,

que vou estar.

(S.)

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Afago.


Ela correu os dedos nos seus cabelos
E entoou uma canção velha
Com notas empoeiradas
De um tempo gasto, amarelado.
Ela andou de olhos abertos
Com nuvens e estrelas
Numa noite gelada
Com um copo de solidão.
Ela absolveu a si mesma
Dos pecados pensados
Em tardes tórridas
De ausente paixão.
Ela fez as malas aos prantos
Derramando lágrimas invisíveis
Na seda iluminada
Pelo sol do abandono.
Ela bateu a porta
Fazendo ventar uma brisa
Suave nas alamedas escuras
Da memória esquecida.
Ela sonhou a partida
Como agora sonha a alegre chegada
De alguém com cabelos macios
Para saciar suas mãos ávidas
De amor e eternidade.

(S.)

sexta-feira, novembro 30, 2012

Tremor.


Hoje, na tarde Sol e Chuva me perdi em
massacrados pensamentos.

fraqueza.

Eu saberia como navegar no espaço,
Porque solidão é nave,
É estar preso ao nada
E perder-se de tudo.

Minha mão acaricia formas no vento,
Minha boca cheia de falso alimento,
Meu peito vago, como um quarto de pensão,
Meus olhos cegos, tateando o coração.

Sem rumo, vagueio tranquilo.
Me falta ar, sufocando
Esse grito que insiste em gritar
Dentro do meu mundo a fraquejar.

Mas eu pinto as cores do céu
Com a cor dos teus olhos sonhadores,
Eu apago a cinza na chama que tuas mãos
Infligem à minha vida tão vazia.

E sei que estão tão longe
Quantos os sonhos podem ver.

e eu as vejo,
acariciando o vento que te mandei
num sussurro.

de adeus.

domingo, outubro 07, 2012

Reflex.


Há, em meio aos pensamentos mais tristes,
Uma razão escondida para sorrir.
Uma grande verdade ainda vai te dizer
Que tudo o que fazemos não tem sentido.
Não me amas e não te amo.
Nada tenho e tu só tens o nada.
Somos só esse tempo, essa luz
Difusa entre as nuvens, que brilha
Por um momento.
Mas não somos, de todo, vazios.
Há ainda nossos caprichos,
Nossas pequenas mentiras sem sentido,
Nossa falta de senso e de paciência.
Há a nossa impassível certeza
De que estamos andando pelo caminho
Correto.
Não sei onde isso acaba,
Mas a única coisa que não sinto mais
É o meu sentir.
Desejo a ti, meu igual tão diverso
A feliz e rara ocasião
De te deparares com o teu próprio espelho
E ver, assombrado, que não há nada 
Além do reflexo.
Não há nada além de e para nós, todos.
E enquanto a mentira se espalha, 
Eu danço,
Solitário, 
No meio da minha loucura.

(Shadow)

segunda-feira, julho 23, 2012

Submerso.


Afogo meu poema nos teus Lábios
Para que minha voz se reflita na Tua
Como o mar reflete a Lua.

Ancoro meu navio nas tuas Mãos
Para que minha âncora afunde (nua
Pele) como a minha mão na Tua.

Encanto-te de amor, como se me ouvisses
Enquanto te persigo com os olhos
Pelos becos escuros e úmidos de filme
Onde sempre um gato chora.

Eu caço tuas Coxas, mas acasalo meu desejo
Numa garrafa de um Bourbon velho
Com nome de homem que, sempre,
Parece um sentenciado à morte do século passado.

Eu me esfrego nos cantos da casa,
Me coço até sangrar, pois como mágica
Desse alvoroço ainda emerge, místico,
O cheiro dos teus cabelos que guardo na memória.

Eu escrevo como quem te ama,
Porque ainda que não te ame,
Meu verso te ama, meus sonhos
Amam, minha voz ama.

Mas isso, ainda tão amoroso,
Não passa de um enganoso
Sentido de universo,
O amor dos cães,
O amor dos bichos.

E o pastor, a amante, o doutor
Nas horas irrelevantes, 
Convencem o "pobre" doente
De que há uma salvação.

E a boca, semi-aberta,
Arrota um último poema,
Elegante, um beijo
Na seda, na pedra.

À minha frente, o futuro que nunca alcançarei.
Atrás, o passado, como um pingente,
A cada dia mais distante.
E em mim, uma ausência presente.

Agora, me permita: Adeus.
(S.)

segunda-feira, julho 09, 2012


SonhAsas.

Naquela noite calma,
Calava a boca, falava a alma.
Na suavidade do suspiro dado
O mundo pára, o Sol parado.
Arrepios de augusta saudade
Afligem seu corpo ardente,
E o elevam como pássaro,
Ao céu noturno distante,
Como o desejo dos olhos
Piscando rápido, frouxos,
As lágrimas do nosso adeus.
Alguém partiu, ninguém chegou.
O tempo ficou onde estava,
A luz, sobrenatural não se apagou,
A lucidez, atrasada não voltava
E ninguém no mundo me ouviu.
Apenas eu vislumbro sombra
Enquanto aprecio solitário
O passar dos que ainda não se foram.
E você, amiga minha, minha amada,
Não entende minha chegada
No lugar onde se depositam
As asas que entregamos
Quando aprendemos a andar.
A noite aquece o sereno
Num abraço de névoa
Que te deixo para que te lembres
Que há muito estou aqui,
Nessa terra distante
Do lar onde nasci.

(Shadow.)

sexta-feira, junho 22, 2012

Dive in the sunset.


Eu voaria daqui, sem medo
Pois, do mais alto, não vejo nunca
A melhor saída.
Eu incendeio o meu olhar
Na sua direção.
Eu angario dores por costume,
Eu confio para acreditar
Em toda invisibilidade
Da beleza de ser além.
Eu não me deito
Ao lado
Para saber onde deitar.
Eu te diria
Tudo que tenho
Se eu soubesse
Que ouvir é mais
Que apenas ouvir.
Te faria sentir melhor
Se tu soubesses
Que na verdade, mesmo,
Quero sua brisa quente
No inverno dos meus dias?
Não, não...
Não direi, agora.
O monstro espera
De braços abertos.
E ele me consome,
Faminto.
E caindo a noite,
Tu não verás
Os meus olhos
Girando nas órbitas
Em chamas.

quinta-feira, junho 21, 2012

Vigília Vazia.


Eu me entrego, sangrando, à prepotência de dizer
Que em mim cabem os mistérios do mundo.
Que meu peito abriga mais amor que ódio
Que meu pensamento deseja mais do que anseia.

Eu me atrevo, incapaz da mentira, imundo
A dizer, abertamente, que minto
Porque tudo o que escondo no fundo
É exata e realmente o que mais temo e sinto.

Eu deixo para o infinito, sem ressalva e emenda
A exatidão da minha dúvida mais pura
Velada com o perfume cego da paixão

E dela brotam milhões de fios de renda
Que me atarão eternamente à dura
Tarefa de desvendar minha razão.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Nostalgia & Anestesia.

Sabe, tem coisa que nem a nostalgia consegue ensombrear,
é sempre um dia de sol, na praça solitária, gritando juventude,
é sempre aquele momento que a boca brilhava com a luz
e tudo que a gente sabia era se beijar, na quietude.

Hoje a hora não passa e cada volta que anoitece
parece uma eternidade perdida no espaço
de um banco solitário que abrigava agarros
mal ajeitados e sinceros, e dormente ficava o braço.

Saberei um dia, no entardecer de outra vida,
Onde ficará a casa que tu moravas?
E ao chegar no portão e gritar,
Será teu nome que vou chamar?

E pela fresta da janelinha de vidro,
vou ver teus mesmos olhos de cristal,
nervosos, me dizendo em loucas piscadelas,
que tem gente em casa e devo entrar pela janela?

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Melodia & Silêncio: nós (cegos).


If you don´t mind, 
today i´m hollow
All my faith are drowned
In a well of sorrow.
If you don´t care,
I´m waiting around
For some magic
Self-injury until
tomorrow.
Pain and lies
Laying out 
To hang me.
Your eyes
In my dreams
To say nothing.
[down]
No. 

You do not care.
You do not spare
You cannot hear.
No.

You cannot find 
A real life to live
With fear.

quarta-feira, dezembro 28, 2011




Sorrateiro,
Como a sombra que orla a luz
Que vaza pela porta,
Teu sorriso chega à minha vista.
O sorriso,
Que tem por arredores
Teus olhos negros que ansiosos
Perscrutam pensamentos
Que minha boca dirime.
E num átimo,
Tudo se movimenta na tua máscara
De carnaval, ancestral feição
Que me persegue infalível
Nas brechas da rotina inefável.
E eu me sacio em teu cheiro lembrado,
Me afogo na torrente de lembrança
Que inunda, insensível
A lágrima que escorre, solúvel.
E amor é a única lei que inda me guia.
Mas
Fecho a porta. E sorrio
Do poema que escorre, frio
Da minha boca em silenciosa gargalhada.

domingo, dezembro 25, 2011

Dedalus.

Evidência é sentar-se à beira do abismo e cochilar, sossegadamente, ao som do vento que uiva...
O lobo da solidão espreitaria suas presas no tráfego vertiginoso
Ou aguardaria pacientemente a presa
Nos covis sombrios da quietude?
Ao meu coração:
Resta apenas
Bater frouxo.
E ainda que os lados dos mesmos quadrados
Escureçam
Cores infinitas,
Existe a possibilidade de ficarmos
De cabeça para baixo, contemplando a luz da Lua.
E avareza é guardar tanta loucura
Dentro do peito extenuado, cansado
Que implora:
“Hesite.”
E com os olhos em chamas
Assisti ao esplendor do ocaso
Perene.
Eu vi as gotas de sereno
Transmutarem-se
Em caleidoscópios incandescentes
Para abrigarem-se, brilhantes,
No meio da minha fronte
Serena.
E, em meio à luz,
Solene
A camélia que tanto cheira,
Cheia de mel e de incenso,
Alçou vôo pelo espaço
Que nos separa
Por tão iguais
Chorarmos escondidos
Na nossa própria paranóia.
E permaneço, sentado, esperando.
Esperando.
Esperando!
Esperançoso...
Esperando!
Esperando!
Respirando...
Respirando...
Girando.
Pirando.

domingo, setembro 18, 2011

Fedra in C

Ainda que sejamos paródias de amores impossíveis,
Ainda que estejamos todos perdidos fingindo olhar o mapa,
Ainda que valha a pena chorar em vão,
Nada mais se realiza sob a luz da imaginação.
Somos curtidores, voyeurs de vidas que não vivemos:
Imaginário coletivo de solidão,
No meio do mar que se expande
Ao redor de ilhas habitadas
Por medo, por dor.
Somos idas e vindas, logramos partidas de portos
Inaugurados no meio da tormenta.
Somos os amantes inativos, os aparadores de mágoas
Que não sabemos curar.
Somos a família perfeita:
A mulher se deita e dorme para esquecer o dia,
O homem deita para não se render à noite
E a criança, frutificada, apenas sonha
Com os olhos no teto
Com o dia em que, ao virar-se, não haja mais ninguém por perto.
Emaranhados em nosso torpor, nos afogamos, eróticos e
Incompletos, no conto de fadas de realizar
Gozos soberbos, inigualáveis.
Não, eu sei que não e você sabe também,
O momento é tão fugaz quanto o piscar de olhos
Que te traz até esta outra palavra:
Rápido.
O tempo esvaindo-se arrasta
Essa esperança, pois nos próximos dias
Virá uma salvação sem rosto
Contando nos dedos
Quem pode ficar de guarda
Enquanto dormimos ao relento
De nossa própria ilusão.

domingo, setembro 04, 2011

Onde a risada se perde?

Não acompanhar
A volatilidade do vento
Que ventava na estrada.
Não abandonar
O medo que te trava
Na beira do nada.
Não ser a palavra
Moldada na fraca morada
Onde mora o silêncio.
Não aturdir o amor
Com a estaca que se crava
Na luta dessa vidarada.
Não deglutir o pavor
Na casa assombrada
Onde não mora o sonhador.
Não amparar a boca
Na boca da profana
Cigana que me cala.
Não destruir a cela
Onde mora a víbora amarela
Que não rejeita envenená-la.
Não falar demais
Pelas ruelas de terra
Onde a pausa se encerra.
Não ser eu e ninguém
Perceber bem tarde
E gritar em alarde
Que sou eu que calo ou
Sou quem diz o verbo
Quando a voz se esvai
Num esforço soberbo
De avisar ao deus longínquo
Que o fim há de chegar.

sexta-feira, julho 22, 2011

Os passos.




Eu te mando minhas mensagens
Pelas luzes das cidade.
Só meus olhos sabem os olhos que
Não me vêem.

Em algum lugar
O mundo se aquieta e
O passo leve da saudade
Caminha pela casa
E ecoa sussurrante pelo ar.

Sorrisos, bocas vivas
Braços macios de mulheres de vento.
Não nego minhas dores,
Não prendo minhas mágoas
Acorrento-as a uma alegria
Que cavalga pelo espaço.

O teu carinho faz tanta falta
No meu peito, no meu som
Cadenciado num ritmo profundo
Sufocando o meu medo
Que era tão grande quanto o mundo.

Todo brilho que não se inflama em gritos
Nas noites impossíveis
Morre de um dos males infinitos:
O dom de ver os traços invisíveis
Em todos os sonhos mais bonitos.

quinta-feira, maio 26, 2011

Petalas petulas.

Angústia.

A saudade é uma dor etérea,

Mas ainda há o sonho impávido

De olhar de novo o caminho

Que me leva para você.

São passos lentos

Que me guiam pela rua

E vou desaparecendo

Pela sombra do desejo.

A dor é a canção sem rima

Como um monte ensolarado

Que se aquece na manhã

E aguarda a noite, anciã.

Nossos corpos como lanças

Eu, você e a paz aflita

Bailando pelo céu azul

Misturado a toda cor que é bonita.

A saudade é a sina

Tão cruel quanto maldita

Que nos prende ao chão

Enquanto a alma levita.

A solidão é uma pedra bruta

Que no talhe inda resiste

Mesmo que a tua ou minha carícia

Seja a mais doce que existe.

O amor é um medo constante

Um tremor que se expande

Rápido como uma ave de rapina

Que descansa quieta no ninho da rotina.

Seria eu saudade inflamada,

Ou talvez, dor lancinante.

No espelho, sou luminosa solidão

Que olha esperançoso o amor da liberdade.

[J.]

domingo, agosto 08, 2010

Innuendo.

Vomito moinhos e

Acordo molhado de sonho

Navegando pelo ar

E pelo espaço

Siderado.

Nas tuas mãos,

Eu sou a lança.

Sou tua perna que balança,

Avidez de nosso amor fantasma.

Eu chicoteio o corcel negro

A minha tristeza fugidia,

Correnteza de todos os rios,

Fúria de te achar nua

Na porta da minha cabana,

Que dá de frente para a tua.

Eu vocifero,

Imploro,

Quero

A sua carne,

Aperto meus olhos até

Sumir de vista.

Eu soluço, tusso

E engulo

A tua seiva doce,

A tua saliva ríspida,

O teu supra-sumo amargo,

Emborcando o teu cálYce...

Embriagado em sôfrega solidão,

Eu apalpo minha alma

E percebo infeliz

Que não há mais de mim

Em mim.

Tudo o que sou ou fui

Vagueia no ermo

Caloroso de meus

Tropeços e tombos

Veludo gasto,

Amor incauto.

Sonhos despertos.

E você,

Fugindo

nas asas do vento do moinho que gira, gira, grita.

quarta-feira, março 17, 2010

Dúbio, Duplamente esculpido, duplamente vivido e unicamente destituído de algo que possa suprir os caminhos de quem quer que seja. Eu entendo o que meu coração me diz, minha intuição é de que o que se precisa é de coragem. Pensei, pensei, pensei a noite toda se fiz algo tão ruim, se fiz algo tão ofensivo. Não fiz nada disso, não quis fazer nada disso. Mas se eu não tenho coragem, quem tem? Au revoir, sou imperfeito. Não aprendo a amar pois o caminho é tão gigantesco e eu não tenho nem culpa, nem desculpa e nem medo de não te mentir sobre o que sou, o que sinto e o que quero. Mas o que eu vivo é de verdade, embora pelo silêncio de minha mente e de minha boca, aches que sou insensível ao sentimento, que o escondo por capricho. Não, não é capricho. É dor. É escolha por sentir o espinho cravado, por ter vislumbrado essência, gosto e aparo, mas chegar atrasado é perder o vôo...Nada é como seria antes, nunca mais. Mas eu não sou digno de amor, não sou digno de confiança. Não confie em mim. Eu sou solitário, sombra, incongruente, cheio de arestas, tolo, sou uma alma que se perde por sempre chegar atrasado, por sempre estar um passo atrás, por não mentir tanto quanto os que amam e vivem e sabem de tudo...Mas ainda acredito. Mas você, meu coração inconsciente, entende. Minha voz calada, gritando bem baixo pois nunca poderei te gritar exatamente agora... Ou há dois dias...Três. Mil dias atrás... De como amar com os olhos. E eu vou prá onde nunca fui. Sem ninguém, sem as pernas. Apenas a minha alma, Na amplidão, junto a ti. E a partir de ontem, Hoje é o amanhã, Ensolaradamente dia e Enluaradamente noite. Ai do vento, sob meu açoite, Ai de ti, poente, como meu guia Ai de nós, sonhadores Sem medo e sem esteio, Com o coração partido ao meio, Mas sem drama e sim como criança Que tem a dádiva de colar pedaços De nova vida em seus dias mornos. Eu rasguei as vestes que cobriam esse mistério, Na minha mente tacanha pus um freio Buscando entender o imensurável dessa eletricidade. Não entendo e pretendo entender menos, Pois a digna verdade é só a mentira de mecanismos nossos, Poluídos pela humanidade febril de coniventes conveniências. E um a um, meus olhos se fecharam em busca do amor dos teus sonhos, Na medida impossível de todas as fantasias sóbrias e soberbas, De prazeres indescritíveis como o céu de verão Da tarde, antes de todas as chuvas, ecoando trovão Num gemido rouco, alaranjado e solícito, Como mil pontos de fusão, incendiando Uma ilegível nuvem que vem alvorecendo A minha sensação de deliciosa solidão. E aquela canção da banda que você AMA Dá-me náuseas, mas ainda assim, Eu tento encontrar nela um pingo da beleza que não falta em você. Mas só encontro aquela voz sem graça, esganiçada E desafinada que me deixa de mau-humor... E você, contra o horizonte, me parece um filme que ainda não vi, Mas do qual, deja-vù saltitante de noites insones, Conheço a trama, mas do fim, só lembro as letras subindo... (S.)

domingo, janeiro 10, 2010


Mágica.

E ela veio imponente, 
Com um carinho na ponta dos dedos. 
E eu, prostrado, como um sonâmbulo, 
Balbuciando meus sonhos e delírios. 
E em cada centímetro dela, um antídoto. 
Um veneno suave, 
Que marcou a minha boca. 
Nos braços frios de nós dois, 
Um sim velado, 
Acrescido de novos porquês, 
Um hesitante silêncio... 
E cavalgando, caiu a manhã. 
E tanta luz se fez escuridão, 
Pois da anterior prostração 
O único gosto conhecido 
Foi o da velha solidão. 
E por alguns instantes de sonho, 
Havia em meu olhar 
A vastidão dos teus olhos, 
Havia um sussurro inaudível 
De meio perdão e meia sorte. 
E se me revelasses o teu coração, 
Eu te diria: foge. 
Mas como ainda há tempo, 
Deixa-me te dizer algum segredo 
Enquanto o mundo ainda gira 
E tua boca me chama, calada, 
Para apenas ouvir. 
E ainda, se puderes, me sorri 
Doce e calma, 
Para que eu sempre creia 
Em mágicas...

 J. 
 (15/8/09)