True.

True.
Love.

sexta-feira, outubro 14, 2016

Mors Vita


Cantarei o ódio aos homens velhos
Maldirei a vida que nos manteve.
Todos juntos rumo ao precipício.
Não temos nome, somos legião.
Não tememos, temos o chicote
De luz que perpassa o cérebro,
Que estrala nas vozes que abalam
A nossa incauta razão.
Queria a bomba,
O fim.
Ah, quem me dera tal sorte...
Queria você em mim,
Tirando minha respiração,
Me minando, de mãos dadas,
Rumo à extinção.
Queria teus cabelos
Sufocando minha alma
Perturbada
Pelo medo.
Não podes ser meu infinito
Não serás meu raio de Sol.
E em mi bemol, me distraio,

Até o fantasma do sono chegar
E me beijar, profundo,

Em busca do fim do mundo.
(J.)

sábado, outubro 01, 2016

Toada Seca

Esse grito mudo que sufoca
Esse amargo na boca que cala
Essa dor insana que frustra
Esse ardor que inflama a alma
Esse medo que manda flores
Essa solidão que pinta cores
Esse ódio que te oferta vingança
Essa inércia pálida que assola
Esse torpor que deixa atento
Esse amor que engana o senso
É a verdade que imola
E a espera ansiosa pela esmola
Doce da ilusão de ser alguém que importa.
A mesma que deposita, sorridente, um pacote em tua porta
E dentro dele, o vazio sorri.
Nas horas que passam agiganta-se
O destino, de dentes afiados
Esperando o momento de dilacerar o espírito
E sorver a chaga do teu pranto
Para alimentar o vagar do tempo.
Esse medo...
Esse espanto.
O fim é o mesmo.
O caminho é diverso.

Entre ele, nós e o verso.

(S.)

30/09/16

sábado, agosto 27, 2016

DelirioI

Hei de crer nos sonhos que tenho, que pesados,
São elos que me imprimem cores que não vejo.
São os males e o quesito primeiro de viver.
Um em cada mão, dois em cada pé,
A mente é satélite que deriva de maré.
Hei de crer em ti, meu passado, meu futuro
Tão presente na velocidade do tempo

Que avança,

Tão rápido quanto o amor
Que não se realiza, que navega a esmo

E que para às escadas
E se olha, com carinho e tristeza,
E se promete no olhar.
Te cala, coração.
Se agasalha em solidão
E deitas.

O sol nunca falha, o que falha é sempre

O tempo.

 (S.)

domingo, maio 01, 2016

Sol Silente.

Antes da tempestade, berra o silêncio.
E no jogo, tua lembrança é tempero da solidão.
E nesse mesmo silêncio, tantas palavras saem,
Libertas, para os ouvidos dos fantasmas
De dias e noites, de toques e hálitos.
Antes da catástrofe, uma cantiga familiar,
Como a voz do que nem existe
Mas tem sempre a voz confundida
Com a de um velho palhaço,
Que ingênuo, se crê salvo.
Antes do desmoronamento, ele se agarra
Aos cabelos negros da noite
E levita, como se fosse a luz
Embaçada de um cenário de sonho.
Viajamos, beijamos o que resta de nós,
Para reconstruir muros e prisões,
Com regalias que valem a pena, no fim das contas.
E como num susto, o que prende a mente
Ao presente, se projeta, veloz
Ao quadro baço do futuro.
E a gente salta o muro e toca o céu.
Sente o gosto e finge o fel.
Salivando, fabricamos mel.
E as bocas, distantes e fechadas,
Conversam 
Na língua esquecida do amor.

(S.)

sexta-feira, abril 01, 2016

SaLutar é Pensar?

De ti, em transe, me embriago.
Me embriago dessa presença,
Desse interlúdio de sonho, que nos carrega pela mão,
Enquanto o mundo vai acontecendo...
Cães latem na escuridão.
E alguém bem longe, pensa também
Em ir embora desse mundo de dúvidas
Que nos é tão comum.
E a arte agoniza, entre o retrocesso e a desconfiança.
Sabe aquela história de: somos todos irmãos, filhos dos mesmos pais?
O Pai de uns, a muleta de outros, por tantos motivos...
Nós também agonizamos, imersos em nossos desejos vaidosos de razão.
Somos tão tóxicos quanto a fumaça das máquinas que criamos
Para nos destruir a todos, como cobaias de algum jogo pecaminoso
Ou de algum deus jovem, atolado em seu próprio ego,
Movendo as peças que somos, por escolha.

Certas ou não, escolhas.

segunda-feira, julho 27, 2015

Mares suspensos.

Minha suave tristeza se derrama pelo chão,
Uma mulher, um som, a onda, a contramão.
Vamos ao céu, nessa semana? Não.

Macia, ela me ampara enquanto eu caio, de novo.

E ela está ali, deitada. Me olha.

E eu me derramo em seus olhos, como lava...
E ela me lava, limpa meu corpo até chegar na alma.
E eu, caindo do abismo, não me mexo.

Suo. Queimo. 
Sopro a vela, mas o lugar continua claro.

E então, eu paro de respirar.
Porque meu ar se aquieta no peito.
Porque o Mar, (o Mar!) inunda meu peito.

Um mar de negras águas, espuma e sonho.
Ela me afoga no sol de suas mãos,
Me lança num invisível turbilhão,
Para me dizer, em silêncio,
Que não se esquece, não...

E numa gargalhada, vira.
Dorme.
E eu saio pela janela, sorrateiro e só.
Ouço seu ronronar. 
Nos fones, aquela canção...

(S.)

domingo, maio 03, 2015

Anos Luz e Escuridão.

De longe, a luz brilha com seus olhos negros, que não carecem de fogo para arderem em minha pele como um ferro quente, com as letras do teu nome na insígnia dessa dominante solidão que me achaca, me amedronta e me encoraja a ver onde, afinal, está a beira do meu abismo. 
Chamo-te vida, escuridão... 
Chamo-te minha.

Minha lâmpada, minha cicatriz amortecida, onde guardo o coração. Pétala de fogo, tuas sementes amarelas e vermelhas, no chão dos meus sonhos, brotando vagarosas aos olhos do tempo.
É onde me confundo, sabes? 
É onde paro e penso: qual o sentido dessa existência?
Esse passo torto entre os caminhos afiados e misteriosos...

Assim, começam as historias de amor, nas folhas rotas do livro de nós e nossos ancestrais...Deles, herdei atônito, essa ânsia pelo imaterial, intocável sensação que permeia nossa ausente eternidade. 
E vou tropeçando minha carcaça pelo estreito desse caminho escuro-claro que se alimenta de distancia.

Eu me apoio nos ritmos de uma noite louca, onde todos livremente revelam seus interiores, sem receio de julgarem e ser julgados por nosso instinto castrador, nossas correntes extensas, presas num totem distante, numa terra desconhecida e árida, a que chamamos realidade.

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Vortéx in.

Ah, eu...

Com essa pena leve,
Escrevo nós dois, corações das trevas,
nas paredes.
Escrevo memórias, contos, maldições
De um passado esquecido.
Eu, com os nós dos dedos em carne viva,
Bato à porta atemporal
De um presente revestido de sonhos
Tortos, tortuosos caminhos pelos quais desfilo
A minha incapaz necessidade de amar.
Ah, eu...
Com essa alma inerte,
Ainda procuro a febre
Que me apertará o coração.
Não sei se crença, milagre ou mágica,
Espero sozinho na estação
Onde desembarca, ao cair de toda noite,
Um corpo são que me reveste
Da mentira da armadura.
Ah, eu! Um reles ente de parca sabedoria!
Um dissidente de mim,
Projeção de uma mente que busca
Um paraíso que só existe
Num vão momento
Situado entre o encontro furtivo
Da luz com a escuridão.

Ah...eu.

(S.)

sexta-feira, abril 18, 2014

Hiato.




Vem outro tempo.
Trazendo frio, luzes e sonhos perdidos.
Floresce, intensamente, abaixo dos olhos,
Um caminho a semear, como a terra prometida
Das minhas ânsias vãs.
Tudo é uma grande ilusão
Um anátema insano em minha mente
Perdida entre os desvãos calmos
Da rotina que rasteja, como uma víbora,
Enlaçando meu corpo na velhice do tempo.
E de dentro da mala que carrego,
Tiro uma nova máscara
Para me proteger do vento frio da realidade.
Onde estarão teus olhos, agora?
Presos em fios de sonho,
Eles buscam os meus,
Céu afora...
E encontram minha úmida e palpável solidão
Atenta.
A te observar pela memória dos meus dedos
E da minha boca.
E me resta saber onde,
Onde vou botar,
Agora,
Minhas órbitas delirantes.
Porque, no cimo instável
Da minha montanha de tolices
Há, desenhado, tudo o que você era,
Durante as outras estações...

(S.)

domingo, outubro 27, 2013

Sinestesia.



Quando o céu se veste de noite,
Caem tristes os olhos do dia...
Quando floresce a rosa mais bela,
O amor, suicida, cai de uma janela.

E seu corpo vermelho, despedaçado
Distribui seu sangue pelas ruas selvagens
Onde nós, desesperados, procuramos cegamente
Um pouco de uma matéria volátil e tão finita.

O tempo se congela sob a sombra que impera.
A vaidade e o desejo assomam as almas frementes
Que buscam saciar sedes ancestrais
No poço profundo e negro da ilusão.

E imploram ressurgir quando a chama
De seus ímpetos febris amaina,
Como se pela atmosfera soprasse brando
Um vento que se parece com uma cura.

E daí brota, novamente,
uma mentira,
um doce cantar
que te sussura uma palavra
que ninguém ousa falar.

(S.)

25/10/2013.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Ano Solidão.



Decidido.

Meu rumo é o ar.

Sem ninguém, sem par.

Só nós, sem viés.

Um dois e talvez, três.

Decidido:

Eu não só

parto, como

chego.

Ninguém me segue.

Não a você,

Não a ninguém.

Meu solitário

pouso

é só também.

Não construo

não apelo

Não obstruo

Só admiro

a ausência

que se faz maior

Nessa vida

tão fugaz e sem

amor.

Não

te vás

antes de me ouvir

dizer

adeus.

E quando voltar,

olhe

em volta.

É lá,

onde não me vês,

que vou estar.

(S.)

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Afago.


Ela correu os dedos nos seus cabelos
E entoou uma canção velha
Com notas empoeiradas
De um tempo gasto, amarelado.
Ela andou de olhos abertos
Com nuvens e estrelas
Numa noite gelada
Com um copo de solidão.
Ela absolveu a si mesma
Dos pecados pensados
Em tardes tórridas
De ausente paixão.
Ela fez as malas aos prantos
Derramando lágrimas invisíveis
Na seda iluminada
Pelo sol do abandono.
Ela bateu a porta
Fazendo ventar uma brisa
Suave nas alamedas escuras
Da memória esquecida.
Ela sonhou a partida
Como agora sonha a alegre chegada
De alguém com cabelos macios
Para saciar suas mãos ávidas
De amor e eternidade.

(S.)

sexta-feira, novembro 30, 2012

Tremor.


Hoje, na tarde Sol e Chuva me perdi em
massacrados pensamentos.

fraqueza.

Eu saberia como navegar no espaço,
Porque solidão é nave,
É estar preso ao nada
E perder-se de tudo.

Minha mão acaricia formas no vento,
Minha boca cheia de falso alimento,
Meu peito vago, como um quarto de pensão,
Meus olhos cegos, tateando o coração.

Sem rumo, vagueio tranquilo.
Me falta ar, sufocando
Esse grito que insiste em gritar
Dentro do meu mundo a fraquejar.

Mas eu pinto as cores do céu
Com a cor dos teus olhos sonhadores,
Eu apago a cinza na chama que tuas mãos
Infligem à minha vida tão vazia.

E sei que estão tão longe
Quantos os sonhos podem ver.

e eu as vejo,
acariciando o vento que te mandei
num sussurro.

de adeus.

domingo, outubro 07, 2012

Reflex.


Há, em meio aos pensamentos mais tristes,
Uma razão escondida para sorrir.
Uma grande verdade ainda vai te dizer
Que tudo o que fazemos não tem sentido.
Não me amas e não te amo.
Nada tenho e tu só tens o nada.
Somos só esse tempo, essa luz
Difusa entre as nuvens, que brilha
Por um momento.
Mas não somos, de todo, vazios.
Há ainda nossos caprichos,
Nossas pequenas mentiras sem sentido,
Nossa falta de senso e de paciência.
Há a nossa impassível certeza
De que estamos andando pelo caminho
Correto.
Não sei onde isso acaba,
Mas a única coisa que não sinto mais
É o meu sentir.
Desejo a ti, meu igual tão diverso
A feliz e rara ocasião
De te deparares com o teu próprio espelho
E ver, assombrado, que não há nada 
Além do reflexo.
Não há nada além de e para nós, todos.
E enquanto a mentira se espalha, 
Eu danço,
Solitário, 
No meio da minha loucura.

(Shadow)

segunda-feira, julho 23, 2012

Submerso.


Afogo meu poema nos teus Lábios
Para que minha voz se reflita na Tua
Como o mar reflete a Lua.

Ancoro meu navio nas tuas Mãos
Para que minha âncora afunde (nua
Pele) como a minha mão na Tua.

Encanto-te de amor, como se me ouvisses
Enquanto te persigo com os olhos
Pelos becos escuros e úmidos de filme
Onde sempre um gato chora.

Eu caço tuas Coxas, mas acasalo meu desejo
Numa garrafa de um Bourbon velho
Com nome de homem que, sempre,
Parece um sentenciado à morte do século passado.

Eu me esfrego nos cantos da casa,
Me coço até sangrar, pois como mágica
Desse alvoroço ainda emerge, místico,
O cheiro dos teus cabelos que guardo na memória.

Eu escrevo como quem te ama,
Porque ainda que não te ame,
Meu verso te ama, meus sonhos
Amam, minha voz ama.

Mas isso, ainda tão amoroso,
Não passa de um enganoso
Sentido de universo,
O amor dos cães,
O amor dos bichos.

E o pastor, a amante, o doutor
Nas horas irrelevantes, 
Convencem o "pobre" doente
De que há uma salvação.

E a boca, semi-aberta,
Arrota um último poema,
Elegante, um beijo
Na seda, na pedra.

À minha frente, o futuro que nunca alcançarei.
Atrás, o passado, como um pingente,
A cada dia mais distante.
E em mim, uma ausência presente.

Agora, me permita: Adeus.
(S.)

segunda-feira, julho 09, 2012


SonhAsas.

Naquela noite calma,
Calava a boca, falava a alma.
Na suavidade do suspiro dado
O mundo pára, o Sol parado.
Arrepios de augusta saudade
Afligem seu corpo ardente,
E o elevam como pássaro,
Ao céu noturno distante,
Como o desejo dos olhos
Piscando rápido, frouxos,
As lágrimas do nosso adeus.
Alguém partiu, ninguém chegou.
O tempo ficou onde estava,
A luz, sobrenatural não se apagou,
A lucidez, atrasada não voltava
E ninguém no mundo me ouviu.
Apenas eu vislumbro sombra
Enquanto aprecio solitário
O passar dos que ainda não se foram.
E você, amiga minha, minha amada,
Não entende minha chegada
No lugar onde se depositam
As asas que entregamos
Quando aprendemos a andar.
A noite aquece o sereno
Num abraço de névoa
Que te deixo para que te lembres
Que há muito estou aqui,
Nessa terra distante
Do lar onde nasci.

(Shadow.)

sexta-feira, junho 22, 2012

Dive in the sunset.


Eu voaria daqui, sem medo
Pois, do mais alto, não vejo nunca
A melhor saída.
Eu incendeio o meu olhar
Na sua direção.
Eu angario dores por costume,
Eu confio para acreditar
Em toda invisibilidade
Da beleza de ser além.
Eu não me deito
Ao lado
Para saber onde deitar.
Eu te diria
Tudo que tenho
Se eu soubesse
Que ouvir é mais
Que apenas ouvir.
Te faria sentir melhor
Se tu soubesses
Que na verdade, mesmo,
Quero sua brisa quente
No inverno dos meus dias?
Não, não...
Não direi, agora.
O monstro espera
De braços abertos.
E ele me consome,
Faminto.
E caindo a noite,
Tu não verás
Os meus olhos
Girando nas órbitas
Em chamas.

quinta-feira, junho 21, 2012

Vigília Vazia.


Eu me entrego, sangrando, à prepotência de dizer
Que em mim cabem os mistérios do mundo.
Que meu peito abriga mais amor que ódio
Que meu pensamento deseja mais do que anseia.

Eu me atrevo, incapaz da mentira, imundo
A dizer, abertamente, que minto
Porque tudo o que escondo no fundo
É exata e realmente o que mais temo e sinto.

Eu deixo para o infinito, sem ressalva e emenda
A exatidão da minha dúvida mais pura
Velada com o perfume cego da paixão

E dela brotam milhões de fios de renda
Que me atarão eternamente à dura
Tarefa de desvendar minha razão.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Nostalgia & Anestesia.

Sabe, tem coisa que nem a nostalgia consegue ensombrear,
é sempre um dia de sol, na praça solitária, gritando juventude,
é sempre aquele momento que a boca brilhava com a luz
e tudo que a gente sabia era se beijar, na quietude.

Hoje a hora não passa e cada volta que anoitece
parece uma eternidade perdida no espaço
de um banco solitário que abrigava agarros
mal ajeitados e sinceros, e dormente ficava o braço.

Saberei um dia, no entardecer de outra vida,
Onde ficará a casa que tu moravas?
E ao chegar no portão e gritar,
Será teu nome que vou chamar?

E pela fresta da janelinha de vidro,
vou ver teus mesmos olhos de cristal,
nervosos, me dizendo em loucas piscadelas,
que tem gente em casa e devo entrar pela janela?

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Melodia & Silêncio: nós (cegos).


If you don´t mind, 
today i´m hollow
All my faith are drowned
In a well of sorrow.
If you don´t care,
I´m waiting around
For some magic
Self-injury until
tomorrow.
Pain and lies
Laying out 
To hang me.
Your eyes
In my dreams
To say nothing.
[down]
No. 

You do not care.
You do not spare
You cannot hear.
No.

You cannot find 
A real life to live
With fear.