True.

True.
Love.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Conversa durante o jantar, após o Pôr-do-Sol.

Por favor, mate-me... Tire de mim um pouco dessa vida, tire de mim a pouca esperança que me sufoca. Por gentileza, me amarre a uma pedra e me jogue no negro vale abissal. Tire-me a pele, arranhe meus olhos, chicoteie minhas costas. Perfura meu peito, vida maldita, pois não sinto mais dor. Sinto só a solidão de todas os dias passados, Sinto pelo medo que me foi tirado e Anseio, inerte, por um golpe de misericórdia nessa bela tarde azul. Alguém sobre meu ombro pergunta por meus motivos E não respondo, pois sou eu quem sempre faz essa pergunta. Mando-me para a noite das minhas mágoas, Caminho como sempre, devagar, saboreando a dor nas pernas retesadas de raiva. E diviso um vulto que brilha negro à minha frente, Serpenteando e sendo rasgado pela luz que nunca apaga. Persigo-a desde o primeiro dia em que a vi, mas não a encontro em meus braços. Pergunto: Se a morte vem e é sombra sobre a vida, Por quê não me deixas te embalar ao som dos meus gemidos, Para que ouças como sou triste e solitário, Fraco como tua complexa simplicidade de mar e sonhos, Que me seduz tal bela mulher de olhos velhos, sorridentes. Amo como se amasse o invisível e desejo a morte como quem quer voar. Por favor!

Nenhum comentário: