True.

True.
Love.

sábado, fevereiro 14, 2009

Estadias na sombra (um piscar de olhos)

Atrás da árvore ancestral, Eu me escondo, À espreitar O tempo! E enquanto decoro o caminho das estrelas Enxugo as lágrimas de luz que elas me dão. Observo, imóvel o mundo, a girar. Nos meus olhos, Os planetas sem direção. A mão serena da calma Ilude A alma inebriada, solitária, que sangra, trêmula, o seu peso. Saio sempre à noite, sorrateiro Pelos campos de cristal escuro, Viajante de um dia. E quando canso, há outra árvore. Impávida, imortal como o ar, Impondo à caminhada Uma estadia na sombra. Toda a escuridão só existe Pois nasce cercada da mais pura Claridade. Assim são meus passos, Hesitantes como a noite Que sôfrega, acalenta o dia. Assim sou eu, sempre tão imperfeito. Mas caminhar por qualquer sorriso Qualquer carícia, carinho É o bálsamo Caudalosamente Sorvido pela minha sede. E dali, hei de partir no vento Hei de superar distância Pelo refúgio da clara presença Da minha insana paz!

segunda-feira, novembro 17, 2008

Illuminatus X Silentium

O que me importa?

Se toda cor que está na casa é torta?

Medo de minha sombra,

que ao lado da bassora,

repousa atrás da porta?

que me importa se Inês ou donzela é morta?

Que te importa se pouca luz aborta

A ânsia que não comporta

A espera pela letra tão torta

que pinta "foda" na parede

da casa sem porta,

Enquanto a vida aborta

Um pouco da dádiva morta?

Que te importa?

Quem me importa, se na calmaria morta

Nada importa?

Mas mesmo lembrando que não suporta,

Repito:Sombra.

se queres luz, procura atrás da porta.

a tua, que da minha, pouco me importa.

(a luz ou a porta.)

Pouco.

Importa.

Muito.

escolhe: com a tua vista, torta.

Não explica, aporta.

No porto, o galeão suporta

que a tarde seja morta,

E navega, na escuridão, pelo mar...

Ao destino ou se afunda:

Pouco importa.

Há um túnel no fim da luz.

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quinta-feira, setembro 04, 2008

A angústia e o relógio lento.

Ao entardecer, bebe as tuas horas.
Ao amanhecer, rega tuas flores
Com as lágrimas mais doces da noite.
 Avisa o Sol que tudo e nada
É o que brota de cada grão.
Nada de mim em questão,
Viajo ao templo da tua mente
Pra tentar colher a semente.
 Ao Pastor, manda amores.
Ao teu Par, sorri as dores?
Bonança que partirá com tua morte.
Pelas injúrias de tudo que é certeza,
Bota livre a flor, agora!
Nem o vento, que está insano,
Tem certeza se, se...Sopra.
E cativo, mantenho o que me é caro,
Pouco, por destino e forjado como raro.
É o sorriso que te deixo, quando dou
As costas ao que fui e germino, aturdido.
Ao Prefeito, manda flores.
Ao teu Pai, chora tuas dores.
Navio que partirá com tua riqueza.
Pelas mãos de tudo que é beleza,
Brota livre a flor, ainda.
Nem o tempo, que está branco, 
Tem certeza se, se...
Finda.

(S.)
04/09/2008)

terça-feira, agosto 12, 2008

Nudez & Sonho.

Melancolia. Acaso as vestes do dia se acabaram? Que nudez é essa, que me acalanta Nesse azul que impávido transpõe A minha solidão com essa força de maré? Que vento é esse que desaloja a minha alma Daquele canto, onde acorrentada, se via quieta? A melancólica invenção de todos nós, Ao parto que se dá na dor E ao riso que nos dá torpor, Enguiça frente a tal beleza. E cada pedaço do céu contempla o corpo Cansado, inerte e anulado com um movimento brusco Na mesma velocidade daqueles beijos que mal pensamos E se tornam passado quando menos esperamos. E no acaso dessa viagem A minha memória sempre parte Em buscas que dão em nada, Ávidas empreitadas pelos recônditos cantos Da ampla sala da minha história E encontra, ao invés de outro, o azul que espera Por mim e me consola. (J.)

domingo, agosto 03, 2008

Respirando fundo (no fundo.)

Meu nome: Fantasia. 
A minha casa se esfarela no ar e sobra só a lembrança 
De um sonho sem porta. 
Fogo, amor. Sempre o teu cheiro de flor 
Nas paredes, na janela 
Um sorriso tão doce, 
O caminhar leve de aguda graça pelos corredores infestados de sombra.
Sempre teu sexo 
Nas dobras da cama. 
E meu suor se dissipa 
Num perfume ácido 
Enquanto o sol se levanta. 
Minha flor: dúvida. 
O ar se esfarela 
E a cama se levanta 
Com a lembrança do fogo, 
Teu sexo ácido 
É a minha porta 
Para a lembrança do sonho. 
E nas paredes do meu suor 
Eu exponho os quadros da memória 
Pois de todo amor 
O que sobra é o cheiro 
Eterno em nós, 
Cada um amando 
Seu Sol 
Em cada manhã. 
Meu nome, teu nome: Saudade. 
E cada estrada leva ao mesmo ponto 
E cada espera nos tira o pouco que teremos, 
E um dos amores meus sempre um dos teus... 
Agora, para sempre, adeus.
J.
III/VIII

sexta-feira, julho 18, 2008

Invenções.

E enquanto a lágrima seca e a Máscara se ajeita, Entende bem q sou a perfeita Moldura da tristeza que Todo céu, em fogo, rejeita. Falo direto ao teu peito, Na loucura de ser sincero e Por fazer caber em mundos vários A nossa invenção de distância. E naqueles sonhos Previ a queda. Prevalece a tua vontade E eu, que mais fazer? Vou sonhando pelos mesmos amores, Grato de ouvir teus anseios Enquanto se fecha o tempo Na iminente e sólida tempestade. E sinto o sabor doce me cair da boca Quando acordo empapado de solidão No meio da noite, em pranto, Por saber q nunca mais a estrada... Nunca mais. Sonho direto nos teus olhos baços E me esfumaço pela janela, caindo Pelo ar, invadindo Narinas alheias Com meu cheiro de ausência. Nunca mais. E no mesmo lugar de tanto abraço Hoje jaz meu tempo em sua dureza, Imerso profunda e duramente em aço e Nos mais frios solos da incerteza. E de mim, amargo, sai o teu fruto Branco, inútil como a moeda posta nos olhos Que nada vêem e atravessam aquele rio Para a vida do outro sonho que nunca conheceremos. Nunca mais.

segunda-feira, junho 30, 2008

O som dos passos.



No peito dos desvalidos, abandonados,
A insistência da busca iluminada.
Nos caminhos mais longos, pés cansados
Arrastam corpos que são de Luz.
A calma da passada em direção ao Sol.


Mas após o dia, sempre a Escuridão.

A mente se desvela em sabores de fumaça,
Buscando em fendas fundas, um pouco mais.
Nadando pelo ar, acordando seus fantasmas
Com suaves sussuros envolventes, de névoa
Espessa e clara de prazeres atonais.

E então nos lava uma líquida maré...

Mas após o gozo, a imensa Solidão.
Os pensamentos aturdidos
Pela massa intensa de momentos de Infinito.

E humanos sempre causam seu conflito
Tateando pelos muros de granito
A lembrança da seda mais macia.

E pelas horas mais bonitas
Sempre se chega a um novo dia.
E pelas noites mais escuras
As mais altas e doces melodias.


E novamente saem nossos pés
cercando o círculo de nossas voltas,
Um vínculo amargo com as histórias
que cansamos de viver.

(J.)
(Domingo, 29/06/08 02h12)

sábado, junho 21, 2008

Mergulho ou O espaço entre nós.


Pedras no caminho.
Matéria-prima de escada.
Sonhos pela noite
São passeios pelo ninho.

Noite solitária
É proposta de carinho.
Luzes e fumaça,
Você vem, devagarzinho.

Encosta a sombra na luz,
Amor do tipo estranho.
Um pelo abrigo,
Outro pelo castigo.

E se somos nós
Ainda que sem mim
Que seja tu também
Na ausência de ninguém.

Subimos juntos ao topo da encosta,
Em transe, crédulos de poder.
E se voamos além,
Como perder a aposta?

Ser criado e amo,
Algoz e filho de ti, súbito.
Meu Amor é Déjà vu, busca,
Só um simples engano.

Planos de ar poluído
Sorrisos feitos de espuma
Nós dois a amar com fúria
Pelo tempo que é bruma,
Passagem, eterno adeus.
Em mim e sempre, apenas pra você,
Guardado, em reserva de vidro,
A minha mais profunda, violenta

e suave carícia.

À frente, sempre a espiral
De degraus com nomes,
Com sonhos derramados,
Prazeres em desperdício,
Olhos ávidos de ilusão,
Tremores de iminente êxtase.
Pedras no caminho.
A subida prevê
A leve
.Queda.
(antes do ponto-final, um último desejo...).

J.
20/6
17h55

sexta-feira, maio 02, 2008

Criando Vento na Cidade.


Veio a menina, calada,
Deslizando na luz da tarde.
Cantando, silenciosamente, a intuição.
E todos ouviam,
Como se fossem anjos
E soubessem a melodia.

Rimos juntos, por jardins tenros,
Escadarias plenas, bares enfeitados por moscas,
E pelos nossos corpos
Em chamas.

Ficamos silentes,
Em comunicação com os olhos,
As mãos e os sonhos loucos.

Desejo.
Faca sem fio.
O afagar dos dedos
E a unhas em alinhamento
Pela carne de papel.

Desejar e usurpar a respiração
Por instantes longos,
Aflitivos, macios...
O encaixe da mente
Nos cantos mais íntimos
E a alegria doce de ser,
Ao mesmo tempo,
Tudo e nada.

Vai a menina, mais calada
(a beleza de uma estrela gelada
que abraça a noite, como a emprestar calor...)
do que chegou,
Deslizando, em zig-zag,zag-zig!
Pela névoa
Que a fumaça de um
Sonho bom
Deixa na memória

Mesmo antes de dormir.

(Shadow)

(foto gentilmente cedida por Flavia Dell´Abadia.)

sábado, março 01, 2008

Eu.

(Charles Bukowski)

Hoje,

Sou quebra-cabeças sem fim.

Peça na água,
Recortada à força,
perdida prá sempre.

Hoje, se não fosse hoje,

Seria um abraço e beijo de boa-noite,

Calmaria da manhã irreversível.

Hoje, em sintonia, a mesma canção

De despedida, cantarolada em meio aos

Soluços inaudíveis dessa alma

Em pedaços.

Amanhã e depois,

Vem a clareza

Pulando os degraus de dois em dois.

Carregando as fotos desbotadas

Daquilo que fomos pela noite,

Pelo dia, pela cama em desalinho,

Pela mesa mal-posta,

Mas do lado que você gosta.

Depois e sempre,

A lembrança voraz

De tudo que a boca disse

Na garoa que me queimou

Vai ecoar

Pelo quarto vazio,

Pelo mundo vazio,

Pelo peito vazio,

Pelo amor, vazio.

Eu lembro que nunca disse adeus,

Então...
(Shadow)

terça-feira, fevereiro 19, 2008

On the Road (again.)


Interlúdio da fuga.

Corro, acorrentado para sempre
À minha estrada, vazia.
Com medo de cair, tentação.
Com fome de viver, cego.
Com algo que paira único e
Sem minha permissão, inútil.

Tenho as minhas portas abertas
E entram todos os ares de noite,
As cores invisíveis
Dos olhos que não vi.
Lá em casa, tem café.
A roseira conversa com o sol,
Quando a lua só finge sono.
Eu vou caminhando,
Trancos e barrancos?
Não gritarei dessa vez...
As portas, eu fechei.
Janelas batem ao vento,
A rosa na estante,
O cheiro de alguém.

Ouvi um sussurro,
Uma prece sem fim.
Falava de ti,

Falava de mim
Enquanto os sonhadores
Iam impávidos e irreais,
Carregando seus corpos,
Em direção às sombras
Da rua da noite, números mais.
Margem de minha antiga solidão,
Rios que me engolem, negros.
Partir daqui, de mim e de ti,
Como se soubesse trilhar
Os mundos, os campos e curvas

De feliz feição.

Lá fora, a Lua acordada
Enfeita a capa do céu,
Enquanto o Sol, calado,
Nem pisca.
E saiu (a rosa) para nunca mais voltar.

À porta, um aceno.
E longe, muito longe, hei de morrer.


*Nennefth*
Meu velho camarada.
Saudade de velhos poemas da noite!*
Benvindo.

segunda-feira, setembro 17, 2007

A dúvida é a resposta do Destino?


1411
(Aos 21...)
(J).
Ah, que me valham mais
Os Demônios da Escuridão
Que os padres iluminados
Pelos castiçais.
Que me valha nesse dia um Deus Obsceno
E não um monstro de traços angelicais.
Rogo pela fúria da chaga feita,
Pelo tremor do corpo imolado,
Pela paz de um abraço de vidro.
Vejo milhões de olhos e eles pedem o mesmo,
Desesperados, ávidos,
Por um pouco da mesma sopa ou
Um gole do mesmo fel.
Vejo os corpos, frenéticos, estertorando...
Como cobras cortadas ao meio
Ansiosas pelo impossível religamento.
E me vejo num espelho negro,
Ridiculamente eu, imperfeição estonteante,
A me vestir de sangue pelo corpo ao avesso.
Abotoando os ossos com cravos de metal,
Ajustando o coração carnal no peito
Ao mesmo compasso da risada contida.
A pele por dentro, é macia.
O amor por fora, é alegria.
Mas salvação é um estágio, solto no espaço,
Em profunda letargia.
Canto ao som dos sapatos que percorrem
Ruas de merda, sujos pela lama mais humana.
Danço ao som dos gritos eloqüentes, insanos e
Harmoniosos dos desvalidos que tanto sabem...
E rodando, sempre como um idiota,
Sujo o que está a minha volta
Com a tinta fosca da desolação.

quarta-feira, julho 25, 2007

Laguna do Espelho


Sou um deserto.

Sete mares e uma sede enorme de ti.

A sede de tempos remotos de homens sem cor

nos seus puro-sangues negros.

Encontrei um lago de água turva e hesitante,

caminhei em sua direção.

Entrei com um maço de cigarros e a sede.

Caminhei sem medo pela escuridão líquida da saudade.

Silêncio em mim.

Vejo a cor de seus olhos íntimos.

Calamidade e fogo,

um peito em queda livre,

a sensação inebriante da mente em chamas.

Mil dias me separam da margem

Penso: de que vale a vida toda pelo tempo em vão?

Bateram à porta:

"Quem é?"

Respondeu:

"Sou você, vindo de antes, trazendo a sua túnica..."

Disse:

"Quantos dias demorei?"

Ao abrir, uma face sem expressão, apontou em direção ao chão.

E escorreu para os vãos do assoalho, zumbindo.

Me vi nu, nadando só, no maior mar de todos,

O mar das palavras sem sentido e do amor não existente.

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmm:

"AlÔ?"

"Queria te contar um sonho..."

"Mas não sonhei-o ainda..."

"Era assim..."

01/04

(J).

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Casa Solidão.


Atrás de cada árvore, uma assombração.

O barulho da mata solitaria nos teus ouvidos

Evoca arrepios: sente o vento contando teus passos?

shhhhhhhhhhhhhhhh.................................

Há luz entre folhas, mas não é a claridade que importa.

Nas sombras da luz, eu ando.

Lembrando amores, caçando sonhos...
Ah, mulher...vem devagar.

Com cuidado, pois invento histórias de medo para que não me temas...

Chegue sorrateira, traga mel.

Um pouco de fumo e uma garrafa de aguardente.

Sei que a casa é pequena, mas cabe a cama.

A gente bebe, ri das nossas caras e dorme fazendo amor.

Pode vir com uma flor, vai caber onde não cabe a mesa.

Mas cuidado...eu posso não estar mais aqui.

Posso ter ido ver as estrelas no alto do morro,

Posso ter ido ao teu encontro no fim-do-mundo.

Espero há eras pela tua chegada.

Minha casa é só silêncio e dor.

Voltei à noite.

No canto, uma flor morta.

Na cama, um fio de luz.

Em mim, a mais fria ausência.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

LIbertação.



Vigilantes ao redor de cada mundo,
Senhores de mãos atadas, ourives.
Ouçam:
Eu descia a rua, um pé em cada lado da calçada,
As árvores e os cestos de lixo rangiam,

E no fim, na esquina virada, eu vi um filme
Que uma voz sem história repetiu:

“Deixa-me sair,
Pois quando entrei,
larguei meus pensamentos no mar.
Só preciso dar uma volta,
matar alguns momentos do meu tédio.
Vou e volto,
em cima do rastro de migalhas de amor que levo.
Vou e trago um pedaço de um peito
velho e sonolento, amoroso e piegas.
Me permita uma estadia lenta
nos quartos escuros da estalagem da memória,
Um dèja-vu ao contrário,
como se eu esquecesse algo de que nunca me lembrei.
Me deixa sair!
Eu sangro nas pontas dos dedos,
pois tentei abrir a porta com minhas chaves,
Meus pés estão tortos de tanto chutar
essa parede de mentiras que ergueram aqui.
Me deixa, por favor, o céu tão alto me chama a toda hora.
Vou e talvez volte, trazendo uma pequena alegria de liberdade.
Eu cantei por anos a canção dos sonhos,
Eu tentei por séculos o amor sem volta.
Mas tudo que encontro é a porta fechada.
Eu te peço, destino, me deixa sair daqui.
Nada se justifica pela lei que cria os assassinos...
Não me deixou sair.
Eu saltei pela janela do outro lado.
E o chão nunca chegou...”

Ouvi.
E deitado,
na sarjeta,
suja, verdadeira e doce,
Pensei: “esse é o chão...”.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

TROUBLE SHOOTS YOU UP!

Partir. Nas brumas insones do pesadelo diário. Partilhar A luz que afaga cada dia Com as mãos enormes do destino. Deitar os olhos no céu e ver a mundana Face no espelho intimado. Perigo. Contra si mesmo A arma é precisa e cruel A espada afiada pelo invisível e Por todas as emanações Da terra e do mar. Partir para onde? O que conhece este pobre Que mal saiu da casca? Sei que dói amar, meu sonho. Sei que Partir é o mesmo que chegar. Me pergunta a cor do céu, mas Não sei as horas. Me pergunta um mistério insondável! Mas não me questiona a sanidade. Mantém o apoio a mim e a ilusão de achar que sei quem sou. Vou fugindo, enquanto posso, Vou correndo Mas até onde e quando? E se meu desejo é estar parado, Na frente um manto E nas costas, asas? Partindo, cheguei ao mais distante Ermo do teu coração. E todo dia, na palavra, uma só Vontade, líquida, imaterial: Um beijo de despedida,
denso como a morte, Para iniciar a chegada.

sábado, setembro 02, 2006

All that you want...

ENCONTRO. Numa sintonia sem tamanho, Encontro-a imóvel na rua escura. O teu corpo percorre o curso invisível dos meus olhos, Fugindo da inexorável condição de escrava da luz. Tentas fugir... Não te prendo, mas sou como a tua interna chaga, Um ponto cego dentro da cegueira. Mudas a cor dos olhos, cortas os cabelos, pinta-os de céu. Mas não te perco, farejo-a como um cão menor fareja o rastro De um cão maior que abre o caminho para a liberdade. Preciso de ti, preciso da tua aceitação Para que seja fácil viajar em vão... Para que o ato solitário tenha uma causa Mais soberba, mas menos nobre... Infinito, sem ti o sonho é infinito... É como fechar os olhos eternamente, esperando O momento certo de agir. Não acredito na esperança. Mas um dia, quando cansares desta fuga, Me encontra na planície ou na montanha, me fustiga com uma lâmina de fogo, Me abrace e me queime, Como um amante queima sua amada Numa noite solitária de verão.

quarta-feira, outubro 19, 2005

OS ESCARAVELHOS

3(pequena crônica sobre sexta-feira) Eu vi. As 3 pedras vindas do Sol!♀ ö ♀Ä Elas brilhavam entre as luzes do mundo, flutuantes, deslizando... Harmoniosamente como pequenas asas de anjo... No fogo daquela paixão não humana, homens-raposa esgueiram-se, movimentam-se, transformam em som o sentimento vivo,imaculado,
plantado e semeado pela liberdade
de ser quem se é... ANd Drugs Regards Éndless Armour Yard Restless Ending Soul... ANd DReams Éxhibithion WILL Drop My Arms Rolling Cold... Que noite, senhoras e senhores! A música que enleva, sorri como o mais belo bem desejado, Três brilhantes pedras moldadas pelo mais puro sentimento, emocionam...

domingo, agosto 28, 2005

Em algum ponto entre o nada e o o que não vejo...

Frio. Uma onda de tremores e um pouco de medo. Sua presença. A tua mão que eu sonhava afagar meu peito, cai. Você, como a luz, como um rastro, meu guia entre um ponto distante E tudo que meus olhos me negam ver. Sinto só um resto de força me levando, Dei meus esforços por tua presença em mim, como bálsamo. Queria atrever-me a escalar tuas paredes, sorrir tuas risadas. Mas esse amor louco, essa ânsia de ser tão grande como o céu, De amar o brilho que emanas, eternamente, me entristece. Me sinto tão vazio, etéreo demais para sentir tanto e Talvez silenciosamente saibas que quero ter uma noite, Uma madrugada eterna em ti e em tuas mais secretas mortes, Quero o espaço, quero a exata solidão fria, após o teu partir. Respiro o teu hálito de noite, tua vaga maneira de olhar desaprovando meus anseios, sem saber que os tenho. Sabe quando te falo de amor, de toda essa maldita idiotice que limita nossa estada, que nos retém como moscas na teia da aranha, malvada criatura que envenena essa pureza almejada, esse desejo de sermos escravos um do outro. Quero me desvencilhar, me soltar, mas, daqui mesmo, já antevejo a mesma escravidão e o predador só muda de cheiro. Mas eu acredito que me encantas, que me mataria para te ter uma única vez. Porque se me vejo só, sinto o vazio que me deixas como o próprio corpo que me carrega...

sexta-feira, agosto 05, 2005

Conversa durante o jantar, após o Pôr-do-Sol.

Por favor, mate-me... Tire de mim um pouco dessa vida, tire de mim a pouca esperança que me sufoca. Por gentileza, me amarre a uma pedra e me jogue no negro vale abissal. Tire-me a pele, arranhe meus olhos, chicoteie minhas costas. Perfura meu peito, vida maldita, pois não sinto mais dor. Sinto só a solidão de todas os dias passados, Sinto pelo medo que me foi tirado e Anseio, inerte, por um golpe de misericórdia nessa bela tarde azul. Alguém sobre meu ombro pergunta por meus motivos E não respondo, pois sou eu quem sempre faz essa pergunta. Mando-me para a noite das minhas mágoas, Caminho como sempre, devagar, saboreando a dor nas pernas retesadas de raiva. E diviso um vulto que brilha negro à minha frente, Serpenteando e sendo rasgado pela luz que nunca apaga. Persigo-a desde o primeiro dia em que a vi, mas não a encontro em meus braços. Pergunto: Se a morte vem e é sombra sobre a vida, Por quê não me deixas te embalar ao som dos meus gemidos, Para que ouças como sou triste e solitário, Fraco como tua complexa simplicidade de mar e sonhos, Que me seduz tal bela mulher de olhos velhos, sorridentes. Amo como se amasse o invisível e desejo a morte como quem quer voar. Por favor!